11 - AKKO

           

          Todos os voluntários têm direito a um dia de folga por mês, além dos shabats. Conversamos com a Eva para pegarmos dois dias seguidos, um do mês que estávamos completando e outro adiantado do próximo mês, ela concordou e pudemos escolher um lugar mais longe para ir. Decidimos então, ir para Akko e para Haifa. Pegamos folga no domingo e na segunda já emendando no shabat.

            Na sexta, trabalhei até as três e começamos a pegar carona, tivemos sorte e a nossa ultima carona nos deixou dentro da cidade. Tínhamos visto no Lonely Planet (guia para viajantes) que o hostel mais barato ficava na cidade antiga de Akko, próximo ao farol, então combinamos de nos encontrar no farol. Mal descemos do carro, encontramos o Duda e o Romero. Fomos para o Paul’s Hostel, lá só tinha uma pequena cozinha, um banheiro e um grande quarto com beliches, era ali mesmo que a gente ia ficar. Preparamos alguma coisa para comer e fomos passear pela cidade.

            As cidades antigas a noite são assustadoras, nem andamos por muito tempo. O Duda disse que essas cidades parecem um amontoado de caixinhas de fósforo que foram jogadas para cima e foram deixadas do jeito que elas caíram. Akko é muito mais assustador que Nazaré, os becos são túneis e a cidade é cercada por muros enormes.

            A entrada do nosso hostel era interessante, abríamos um portão de grades de ferro, do qual tínhamos a chave, que dava para um corredor de pedras com o teto em arcos. Tudo era mantido dentro dos modelos árabes e o dono acrescentou ao ambiente, objetos antigos, como: balas de canhão, pratos e vasos. O teto do quarto era formado por arcos que se cruzavam e evidenciavam a idade do prédio, que estava super bem localizado, pelo menos para “viajantes expedicionários” como nós.

            No hostel conhecemos duas holandesas, a Birgit e a Ellen, que eram voluntárias em outro kibutz. Elas eram bonitas e legais, os meninos se interessaram logo, mas não deu em nada. Eu e o Monclair, na hora de dormir, preferimos dividir uma minúscula cama de solteiro, o que surpreendia nossos companheiros de viagem, porque na verdade tinha cama para todo mundo, mas ficar juntinho era muito mais gostoso. Desde a primeira vez que dormimos juntos, lá na fazenda no Brasil, dormíamos abraçados todas as noites, era estranho pensar em dormir em camas separadas.

            Akko é considerado um dos mais prazerosos lugares para visitar em Israel, por causa das cores e da vitalidade de uma cidade árabe, apesar de hoje ter a maior parte de sua população judaica morando na parte nova da cidade. A cidade velha é cercada de muralhas enormes e para entrar passamos por portões de ferro também enormes.

            Akko (ou São João de Acre) é uma cidade de aproximadamente cinco mil anos. No início, era um antigo porto canaânico e fenício, depois passou pelas mãos dos gregos e romanos. Foi conquistada pelos árabes em 638 e em 1191, por Ricardo Coração de Leão e tornou-se o centro das cruzadas. Mas tarde, foi controlada pelos Cavalheiros de São João e foi a capital do Reino dos Cruzados, depois da queda de Jerusalém. Em 1291, foi reconquistada pelos otomanos, que deixaram a cidade quase abandonada. Somente no século XVIII, a cidade foi revitalizada pelos turcos. Napoleão tentou conquistá-la, mas sem sucesso. Essa cidade árabe foi conquistada pela última vez pelo exército israelense em 1948. Com a independência do Estado de Israel, a cidade reiniciou a atividade portuária e desenvolveu uma intensa atividade industrial. Naquela época, dois terços das pessoas que moravam em Akko viviam na cidade nova e eram judeus. Akko era fascinante como um centro medieval por causa de seus monumentos e sua arquitetura otomana, que era uma forte característica.

            Acordamos, preparamos nosso café da manhã e pernas pra que te quero, como dizia a minha mãe. Como sempre, fomos conhecer a cidade a pé, existe jeito melhor? Nosso primeiro destino foi o farol, o mesmo que foi usado como ponto de encontro no dia anterior. Andamos sobre as muralhas do antigo forte que abrigava o farol, essas muralhas eram de pedra e enormes, extremamente largas, mais ou menos dois metros de largura. Passear naquelas muralhas era incrível, podíamos ver as ruínas do antigo forte submerso no Mar Mediterrâneo que continuava lindo.

_ Isso devia ser uma fortaleza marítima fantástica, da antiguidade, daquela que dá pra ver de longe e quando chega de barco impressiona. Por que ela é muito imponente, o mar é muito azul, imenso, e até hoje deve ser um porto muito movimentado. É um lugar que vale a pena voltar de barco. _ Disse o Monclair. Esse sonho de voltar de barco ainda havemos de realizar um dia.

            Ainda passeando sobre as muralhas flagramos três adolescentes árabes fumando narguilé escondidos, foi engraçado ver que adolescente é adolescente em qualquer lugar, independente da cultura. No ocidente, os adolescentes fumam cigarro escondido, lá eles fumam narguilé. 

Nessa viagem, é como se o tempo estivesse sempre a nosso favor, passávamos muito tempo no mesmo lugar, sem pressa, meio que internalizando tudo. Como o Monclair dizia, éramos muito contemplativos. Éramos tão felizes que não conseguíamos entender tanta felicidade, tanta liberdade, tanta informação, tanta cultura, tanto tudo.

            Tudo era muito lindo, mas tinha muito mais pra ver e continuamos nossa caminhada. Do farol, fomos para o Khan Al-Umdan, uma espécie de mercado/hotel, onde hoje não funciona nada, pelo menos é o que parece. Al-Jazzar reconstruiu esse “hotel” para acomodar os mercadores otomanos no fim do século XVIII, por causa da expansão do comércio local na época. O térreo servia como lojas alugadas para os mercadores otomanos, enquanto as galerias do andar de cima serviam para acomodá-los. Esse lugar era considerado um dos principais projetos de Al-Jazzar e o maior Khan de Israel. Acredita-se que ele tenha sido reconstruído no lugar onde eram acomodados os hóspedes reais durante as cruzadas. Khan Al-Umdam, era um grande pátio cercado de arcos nos seus quatro lados, formados por colunas de granito nas cores vermelha e preta. Bem no meio desse pátio, tinha uma pequena piscina feita com o mármore de Nazaré e ao redor dela tinha uns árabes vendendo guloseimas deliciosas. Eles expunham os doces em tábuas de madeira, muito parecido com nossas baianas, e se protegiam do sol com sombrinhas bem árabes, não existe a menor possibilidade de você achar que estava na Bahia. Essas sombrinhas eram rodeadas de franjinhas e cores descombinantes. No terraço, tinha uma torre com a bandeira de Israel, essa torre foi construída em 1906, próxima da entrada principal para comemorar o jubileu do sultão otomano Abd Al-Hamid Segundo, assim como várias outras torres erguidas durante o império otomano.

            De lá passeamos pelo porto de Akko, cheio de veleiros e restaurantes pra turistas. Para sair da rota turística, pegamos uma rua menos movimentada e continuamos nossa caminhada. Vimos um grupo de senhoras árabes conversando, como carregávamos nossa filmadora o tempo todo, decidimos filmá-las também. Acho que elas não gostaram da idéia, quando uma delas nos viu, começou a gritar, algumas entraram pra dentro de casa e as que ficaram, viraram de costas e continuaram o protesto. Tudo bem,entendemos o recado. Com a filmadora desligada, continuamos nossa tour. O próximo grupo de árabes que encontramos foi bem mais simpático, eram todos homens e estavam conversando e fumando narguilé. Eles nos viram com aquela alegria contagiante e começaram a gritar:

- Where are you from? Where are you from? – Com um carregado sotaque árabe.

Respondemos prontamente:

_ Brasil!!! _ Quase em uníssono.

            Depois deles gritarem o nome de todos os jogadores de futebol da nossa seleção, nos convidaram pra sentar com eles. Ficamos um pouco, fumamos a narguilé de maçã deles com eles, mas não conseguimos muita comunicação. Era como se o inglês deles estivesse limitado ao “Where are you from?”. Mas eles foram muito simpáticos e receptivos.

                Passamos novamente pelo mercado/hotel - Khan Al-Umdan – que era no caminho e um dos meninos, não me lembro qual, viu que tinha uma escada para o andar de cima, onde ficariam as acomodações e é lógico que subimos. Estava tudo fechado e continuamos subindo, até que chegamos ao terraço do prédio! De lá dava pra ver boa parte da cidade, o mar, o porto e até Haifa. A torre estava fechada com portões de ferro, que não tive coragem de pular, mesmo porque era um pouco perigoso mesmo, mas os três não pensaram duas vezes, quando vi, já estavam lá em cima. E de lá gritavam eufóricos, como conquistadores, como criança fazendo coisa errada. Tudo era diversão!!

                Estávamos indo para a Mesquita de Al Jazzar e como o tempo estava sempre a nosso favor mesmo, parávamos em todos os lugares que nos dava na telha. Entramos em uma pequena lanchonete, ou budeguinha, pra comprar uma coca-cola, e imaginem o que tinha lá? Uma enorme bandeira do Brasil! O dono era um árabe apaixonado pelo nosso país, estávamos nos sentindo muito bem quistos por aqueles que a principio nos davam medo. Nossa próxima parada foi em uma lojinha de bugiganga, daquelas cheia de coisas velhas penduradas. Entramos e logo os meninos começaram a tocar alguns instrumentos antigos que tinham lá. O dono ficou contagiado com nossa felicidade e procurou se integrar ao grupo. O nome dele era Roshtov, era um judeu que já tinha viajado o mundo todo. Ele nos pediu pra voltar lá depois do nosso passeio e disse que estaria nos esperando. Concordamos e continuamos.

                Na mesquita de Al Jazzar mais uma surpresa, o senhor que se dispôs a apresentar o templo pra gente falava português, era árabe, mas havia morado no Brasil há muitos anos atrás. A mesquita era muito bonita, repleta de dourado, azulejos e mármore por toda parte.Era imponente com seu enorme teto redondo e verde, além de um grande pátio com colunas romanas trazidas de Cesaréia. Dentro dessa cúpula dizem ter o cabelo do profeta árabe Muhamed (Maomé). É a terceira maior mesquita de Israel, Ahmed Al-Jazzar mandou construí-la em 1781 onde ele acreditava ter sido a Catedral cristã de Akko. Um dos lados do pátio foi construído sobre restos de um antigo forte da época das cruzadas. Ainda no pátio, tem uma pequena construção que lembra um “coreto” onde estão enterrados Al-Jazzar e seu filho.

                Al-Jazzar, o que quer dizer açougueiro em árabe, foi conhecido por sua crueldade para com seus subordinados assim como para com sua família e amigos. Ele ganhou fama como a pessoa que conseguiu deter o exército de Napoleão do mar à Galiléia, claro que com uma ajudinha da Inglaterra. E foi para encarar a armada de Napoleão que ele mandou cercar a cidade com uma segunda muralha. Al-Jazzar era albanês e embora sanguinário, foi um genial urbanista e reestruturou completamente a cidade, não hesitando em enfeitá-la saqueando palácios e ruínas de época bizantina que ficavam nos arredores, como era o caso das colunas retiradas de Cesárea. Foi durante seu “governo” que Akko cresceu significantemente e se tornou mundialmente conhecida por seu algodão e grãos.

                Da mesquita fomos conhecer a cidadela dos Cruzados, uma enorme fortaleza subterrânea que desde 1191 até 1291 foi a sede administrativa e religiosa dos monges guerreiros. Representava um dos mais antigos e interessantes exemplos de arquitetura gótica medieval; Tinha um grande salão, chamado cripta, onde aconteciam as funções religiosas, as reuniões, os conselhos de guerra e, provavelmente, também as refeições comuns dos Cruzados nos tempos de Ricardo Coração de Leão e de Luis IX. Além dos infindáveis corredores subterrâneos o que mais nos impressionou foi a forma encontrada pra dar informações aos turistas. Quando comprávamos o ingresso, recebíamos uma espécie de controle remoto que ficava pendurado no nosso pescoço, quando víamos um número nas ruínas, era só apertar no controle e recebíamos a explicação na mesma hora. Era fantástico e a gente podia escolher o idioma. Como não tinha português, foi em inglês mesmo. Esse contraste do antigo com o novo era fascinante. De lá passamos no museu de banho turco.

            Voltando para o hostel passamos na frente da loja do Roshtov, afinal de contas, era caminho. Ele estava sentado em uma cadeira do lado de fora, com a lojinha já fechada, ao lado de uma poça de vomito segurando uma garrafa de vodka e chorando. A situação dele era deprimente. Ele não estava sozinho, com ele tinha um negão com dreadlocks na cintura, todo paz e amor. Ele nos explicou que Roshtov estava assim por nossa causa. Para explicar melhor esse episódio da nossa viagem decidi escrever, palavra por palavra do Duda contando essa história, a partir de uma gravação, ou seja, totalmente linguagem falada.

 

O fantástico mundo de Roshtov

 

A gente chegou na loja do cara, achou uma loja interessante com vários artigos diferentes no estilo indiano em Israel, aí cada um foi derivando e tal. Um pegou um instrumento, outro pegou uma foto, pegou não sei o que, ficamos zoados, fazendo várias coisas, tocando. E o dono da loja com um gorrinho indiano não parava de entregar instrumentos pra gente e a gente ali, de bobeira, achando que estava em uma loja normal, tranqüila.O dia ainda estava começando e tudo tinha que acontecer, o máximo possível e o quanto antes. Chegou a hora de ir embora, mas ele pediu pra gente voltar e a gente disse: “ta, ta, a gente volta”, sem dar muita importância. Isso era cedo ainda, nós fomos, fizemos, andamos e quando a gente tava voltando, descendo a rua pra voltar pro hostel, tinha um rasta com o dono da loja que estava completamente bêbado sentado em uma cadeira depois de ter vomitado pra ca... Chorando pra ca... Ele disse que estava chorando porque a gente não tinha voltado, daí a gente se sentiu completamente envolvido naquela história e isso, na verdade, foi só porque a gente deu bola. Aí o rasta chegou pra gente e disse que a nossa passagem lá tinha mudado a vida do cara, que ele tava pra morrer, que ele tava com uma doença terminal e que de tanto em tanto tempo ele tinha que ir pro hospital receber umas injeções. Ele disse que a gente tinha trazido alegria pra ele e que ele queria que a gente fosse jantar na casa dele e que ele ia preparar uma comida tailandesa pra gente. Esse rasta arrumou um táxi, levou o cara pra casa, voltou pro nosso hostel e pegou a gente de carro pra levar pra casa do cara.

Fomos né, chegamos na casa do cara, a casa era imunda, cheia de coisas das mais diferentes, incríveis. A sala tinha montes de roupas entulhadas nos sofás. O cara tinha coleção de alaúdes. Ele tinha uma cristaleira com pedaços de lanternas gregas que segundo ele, apareciam em uma praia em uma determinada época do ano e que ele ia sempre lá coletá-las.

 A cozinha...., o cara disse que ia fazer um rango tailandês pra nós, mas era impossível, imagina uma casa abandonada a meses mas com uma pessoa morando dentro. Eram dúzias de pratos com resto de massa ao molho vermelho caindo, na verdade não dá pra discernir o que tinha dentro da cozinha, era a coisa mais surreal. No final a gente acabou esquentando uma lasanha de microondas e comemos na forma mesmo com o maior nojo. Ele nos recebeu sentado na cama ainda se recuperando da bebedeira com aquela cara de doente com dificuldade pra falar.

 A casa era cheia de coisas, coisas do mundo inteiro, o cara tinha passado anos na Índia e nos mostrava fotos de pessoas das mais baixas castas com doenças tipo elefantíase. Bizarro. O cara ficou muitos anos viajando e pirou o cabeção. Era uma onda meio estranha, era bizarro, era fantástico.”

 

 

            O Duda não exagerou em nada, a casa era uma loucura mesmo. Quando entrávamos dávamos de cara com uma ante-sala com mais de 20 rádios antigos, bem antigos, a cristaleira citada pelo Duda, entre outras curiosidades que não me recordo mais. Virando a esquerda era a tal sala com roupas pra todo lado, depois tinha a cozinha que não sei como descrever. Voltando a ante-sala, virando a esquerda era o quarto dele, uma zona sem pé nem cabeça, até quarto de adolescente era melhor do que aquilo. Milhares de livros e fotos espalhadas por todos os lados, além das roupas e louças que também “habitavam” aquele recinto. Ele ficou deitado na cama nesse quarto desde a hora que chegamos até a hora de irmos embora.

            Roshtov tinha uma doença e estava bem mal, apesar de parecer apenas um homem com uma ressaca brava. Ele mal podia falar, mas nos contou histórias incríveis. Ele morou muito tempo em uma vila na índia e lá todos achavam que ele era uma espécie de enviado por um dos deuses para ajudá-los. Nessa vila viviam pessoas das castas mais inferiores possíveis e ele nos mostrou as fotos mais deprimentes que já vi em toda minha vida, tanto é que depois dessa visita decidi que nunca queria ir a Índia, não estava preparada pra ver aquilo tudo. Mais tarde mudei de idéia, ouvi outras experiências e vi outras fotos, menos traumatizantes, no entanto, ainda não chegamos lá.

            O banheiro era algo inabitável, se a cozinha era daquele jeito, imagina o banheiro! Como era uma casa, preferíamos usar o quintal, inclusive eu. Passeando no quintal, como se toda aquela loucura não bastasse, tinha uma cabeça de 2,5 metros de altura colada em uma das paredes. Evidentemente perguntamos o que era e ele nos respondeu que tinha conseguido aquilo nas gravações de um filme em Israel.

            Depois de dividir uma lasanha de microondas por nós quatro, voltamos pro hostel de taxi, porque o Roshtov morava no lado judeu da cidade. Mais uma vez, eu e o Monclair dividimos a minúscula cama e dormimos.

            Na manhã seguinte era hora de arrumar tudo e continuar a viagem. De mochilas nas costas fomos conhecer a prisão de Akko, hoje ela é um museu com uma ótima infra-estrutura turística. Andamos e brincamos lá dentro, é um lugar que não é citado na maioria dos livros e guias, mas vale a pena uma visita.

            Estava na hora de deixar Akko, saímos pelo mesmo portão enorme que entramos, era uma porta enorme chamada Portão da Terra (Land gate), provavelmente porque era a única saída da cidade para Israel em tempos remotos. Andamos até uma praia deserta, lugar escolhido para lancharmos. Apesar de uma placa avisando que era área do exército e era proibido nadar, eu e o Monclair tiramos nossas roupas e entramos na água pelados. O Duda e o Romero ficaram jogando capoeira na areia. Voltamos para a areia e cada um foi pro seu mundo. O Duda continuava jogando capoeira, mas dessa vez com o Monclair, o Romero estava desenhando na areia e eu estava lendo o Lonely Planet pra planejar o restante da viagem, ou melhor, desplanejar.

            _ Gente, o que vocês acham de a gente mudar tudo? – Gritei eu para conseguir a atenção dos meninos.

            _ Como assim? _ Perguntou um deles, que logo se aproximaram.

            _ Segundo nossos planos estamos indo pra Haifa, mas Haifa é muito perto do kibutz, porque a gente não vai pra Rosh Hanikra, na fronteira com o Líbano? Eu tava olhando aqui, a gente podia pegar carona até Nahariya hoje, dormir lá e amanhã ir pra fronteira.

            Todo mundo aceitou na hora. Colocamos as mochilas nas costas, fomos pegar carona e combinamos de nos encontrar em Nahariya mais tarde. A onde? Só Deus sabe.

PRÓXIMO CAPÍTULO - NAHARYA