25 - VOLTANDO PARA JERUSALÉM

 

Dia 19 de abril. Dia do índio no Brasil!

Voltamos para Jerusalém de carona de novo.

Duda e Luna, definitivamente, formavam o mais novo casal do grupo e nesse dia não nos acompanhou. Fomos eu, Monclair e Romero para lavanderia e lá, ficamos sabendo de um pub na cidade nova perto da Jaffa Gate que até um certo horário, qualquer bebida que você pedisse, ganhava outra igual. Deixamos as roupas limpas no hostel e fomos conhecer o tal pub. O nome era Blue Hole, a porta era um verdadeiro buraco na parede e para entrar, descíamos uma escada que já nos remetia a uma arquitetura bem antiga, mas era bem aconchegante. Nessa brincadeira, ficamos todos bêbados e voltamos pro hostel cantando e dançando pelas ruas da Nova Jerusalém. Estávamos alcoolicamente alterados, mas muito felizes, sinceramente felizes, e não aguentamos de vontade de compartilhar tamanho sentimento. Conclusão, paramos em uma praça e nós três ligamos pra casa. Se não me engano, Monclair passou um bom tempo no telefone com o Claudio.

No dia seguinte a ressaca tomou conta da manhã. Quando nos encontrávamos em condições de sair, fomos comprar sandálias de couro, pois os dias estavam ficando cada vez mais quentes e passa-los com tênis nos pés estava cada vez mais sacrificante. Depois de algumas horas de pesquisa e pechincha, muita pechincha (aprendemos a lição), os quatro tinham suas sandálias nos pés.

Então decidimos ira à Igreja do Santo Sepulcro. O prédio visto por fora era bem diferente das minhas expectativas, fica no meio de um embaralhado de muros e arcos, e com muita gente entrando por uma única porta.

A tradição cristã garante que este foi o local onde Jesus Cristo foi limpo e enterrado. A Igreja do Santo Sepulcro, foi construída no ano de 326, também por ordem de Helena, mãe de Constantino, o Imperador que impôs o cristianismo no império romano. Logo que entramos, demos de cara com uns padres franciscanos cantando/rezando em volta de uma pedra, onde eles acreditam que limparam Jesus antes de ele ser sepultado. Dentro da Igreja, encontramos a Rocha do Gólgota, sobre a qual acredita-se que estava depositada a cruz em que Jesus foi crucificado. Gólgota é uma palavra aramaica, traduzida para o latim como Calvário. Enfrentamos uma fila para colocar a mão em um buraco e tocar na tal pedra. Nos subterrâneos da Igreja do Santo Sepulcro, encontramos a cripta de José de Arimatéia, onde acredita-se que Jesus foi originalmente enterrado.

A Igreja Bizantina original, construída por Helena, foi destruída pelos persas no ano 614, foi reconstruída pouco mais tarde, para depois ser novamente destruída pelo califa muçulmano Al Hakim, em 1009, que mandou pessoalmente destruir os túmulos de Arimatéia e de Jesus, determinando que se fizesse em pedaços, pedra por pedra, todas as relíquias cristãs. Quando os cruzados chegaram a Jerusalém, reconstruíram novamente a Igreja do Santo Sepulcro. A maior parte do prédio que vimos foi recuperado pelos cruzados. Quando os judeus retomaram a Cidade Velha de Jerusalém, na Guerra dos Seis Dias de 1967, a Igreja estava em péssimo estado de conservação. As cúpulas foram restauradas pelo governo de Israel, instalando vitrais que permitem a entrada da luz do sol, mas na minha opinião, ainda era meio escuro, fúnebre, sei lá. Mas era nítido que a igreja ainda estava em fase de restauração. E os gregos ortodoxos quem tomavam conta do lugar agora.

Durante certo tempo, foi questionado se o túmulo de Cristo realmente estava dentro da Igreja do Santo Sepulcro. Na época do Templo, as autoridades judaicas não permitiam a realização de sepultamentos dentro das muralhas da Cidade-Santa e, hoje em dia, se constata que a Igreja está situada dentro das muralhas da Cidade Velha de Jerusalém. O que acontece é que séculos depois da morte de Jesus, o traçado da Muralha de Jerusalém foi estendido para que envolvesse também a sagrada Igreja do Santo Sepulcro. Recentes pesquisas e escavações de arqueólogos israelenses, comprovaram que o local onde a Igreja estava situada, na época de Cristo se situava fora das Muralhas da Cidade-Santa, próxima a um portão, tornando-se um lugar adequado para sepultamentos. Este fato foi paralelamente confirmado pela descoberta de muitos outros túmulos da época de Jesus naquela área.

Pra variar, visitar só o que todo mundo visita não era o suficiente e começamos a passear por áreas mais vazias da igreja, na verdade, reservadas para os sacerdotes. Foi quando encontrei o Duda e o Romero, eles estavam me procurando pra tirar uma foto deles vestindo as roupas dos padres franciscanos. Fiquei apavorada com a hipótese de alguém ver a gente, tirei a foto e saí logo dali. No final, nada aconteceu.

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