27 - CONHECENDO JERUSALÉM

 

          

         Chegamos de Belém ansiosos pelo dia seguinte, e já começamos a “planeja-lo”. Eu e o Monclair estávamos mexendo com nossos mapas, guias, anotações e panfletos quando fomos interrompidos por um homem que estava hospedado na cama ao lado da nossa no Tabasco hostel. Ele puxou conversa e foi logo se apresentando, era um historiador inglês, especializado em Jerusalém. Ele estava lá porque escrevia pelo quarto ano seguido, uma parte dedicada à Jerusalém de outro famoso guia de viagem entre os viajantes pelo mundo, o Handbook. O Handbook é como o Let’s Go ou o Lonely Planet, melhor forma de viajar, eu garanto!

            Ele nos perguntou quais eram nossos planos para o dia seguinte e dissemos que queríamos conhecer a Cúpula do Rochedo e a Via Dolorosa, e ele nos perguntou: Qual Via Dolorosa, a verdadeira ou a falsa? Logicamente não entendemos a pergunta, mesmo porque, nunca tinha ouvido falar de duas vias, muito menos que uma era falsa. Percebendo nossa confusão, ele tirou de suas coisas um grande mapa da cidade antiga de Jerusalém, um mapa profissional, eu diria. O Mapa tinha algumas fases da velha Jerusalém, umas sobre as outras, de forma que ficava fácil visualizar a cidade dos dias de hoje e em outros tempos.

            Com um ar de quem realmente dominava o assunto por completo começou a nos explicar que a Via Dolorosa que os peregrinos e fiéis fazem em Jerusalém era falsa. Ele tinha a Via Dolorosa que todos conhecem perfeitamente traçada no mapa e outras possibilidades estudadas em seu Doutorado. Sim, para nossa surpresa, ele era Doutor em Jerusalém em uma universidade na Inglaterra!  Ele ia seguindo a via tradicional com o dedo indicador e nos mostrando o porquê aquela Via não seria possível, ela simplesmente não existia quando Jesus foi crucificado!

            Segundo a tradição, na Via Dolorosa estão nove das catorze estações de Jesus a caminho da crucificação, as outras cinco estão dentro da Igreja do Santo Sepulcro. Segundo nosso mais novo amigo, somente as do Santo Sepulcro são verdadeiras.

            Conversamos por um bom tempo e fomos dormir agradecendo à “mão invisível” por mais esse presente em nossa viagem, nos encaixamos e fomos dominados pelo cansaço e pelo sono...

 

22 de abril de 1998

 

            O dia começou relativamente cedo. No café da manhã do Tabasco compartilhávamos com o grupo as descobertas da noite anterior, admirados. Tamanha nossa empolgação que nosso amigo chileno quis passar o dia conosco novamente, acho que ele realmente gostou da gente. Para o Romero a presença dele naquele momento era ótima, uma vez que o Duda e a Luna estavam vivendo aquele clima de inicio de namoro. E nesse dia, em especial, fomos nós quatro – Eu, Monclair, Romero e Chileno.

            Era engraçado, eu e o Monclair estávamos para completar cinco meses de namoro em poucos dias, mas era como se já estivéssemos juntos há cinco anos! A nossa impressão é que já nos conhecíamos muito antes de nos conhecer, pelo menos nessa vida.

            Demos inicio ao nosso dia indo direto para a Cúpula do Rochedo para não correr o risco de sermos barrados na portaria outra vez. Para falar a verdade quase fomos! Quando ia para lugares de cultura islâmica (árabe) sempre tinha o cuidado de me cobrir mais do que o de costume para não agredir ninguém com minhas roupas ocidentais (ou para não ser agredida). Para esse dia, coloquei um vestido longo, colorido com uma espécie de thai dye da Pakalolo que eu usava desde antes de fazer intercâmbio em 1994. Era um vestido que ia até o pé e bem soltinho, mas como mostrava os ombros, coloquei uma camisetinha branca por baixo e acreditei que o problema estava resolvido. Logo na entrada do Monte do Templo ou Esplanada das Mesquitas, fui barrada novamente – minhas roupas não estavam adequadas! Ainda bem que eles mesmos já estão acostumados com esse tipo de situação e tinham “roupas adequadas” para emprestar.

            Entrei na Esplanada das Mesquitas (ou Monte do Templo) vestindo uma camisa de tecido com mangas longas e um capuz, que eu deveria usar para cobrir meus cabelos e pescoço. Dessa vez sobrou até para o Monclair que tinha ido de bermuda. Ele teve que conhecer essa parte islâmica de Jerusalém de saia! Problemas resolvidos com muito bom humor.

            Finalmente entramos no lugar mais sagrado do judaísmo, já que, segundo a Bíblia, no Monte Moriá aconteceu a história do sacrifício de Isaac (para os muçulmanos, lá teria ocorrido o sacrifício de Ismael). O lugar da "pedra do sacrifício" (a Sagrada Pedra de Abraão) foi escolhido pelo rei David para construir um santuário para a Arca da Aliança. As obras foram terminadas por Salomão e por isso era conhecida como Primeiro Templo ou Templo de Salomão. Em 587 a.C. o templo foi destruído por Nabucodonosor II, dando início ao exílio judaico na Babilónia. Uns anos depois foi reconstruído o Segundo Templo, que voltou a ser destruído em 70 d.C. pelos romanos, com a exceção do muro ocidental, o famoso Muro das Lamentações, que ainda é o lugar de peregrinação mais importante para os judeus. Segundo a tradição judaica, é onde deverá ser construído o terceiro e último templo nos tempos do Messias. Ou podemos dizer também, que entramos no terceiro lugar mais sagrado do islamismo, devido a viagem de Maomé à Jerusalém e sua ascensão ao paraíso. Para o islã, só fica atrás de Meca e Medina.

            O local é associado a vários profetas judeus, sendo que os próprios muçulmanos consideram estes profetas judeus como muçulmanos, uma viagem.

            Apesar de ser uma viagem, fica fácil entender porque esse é um dos lugares mais disputados do mundo desde sempre. É chamado pelos judeus de Monte do Templo e considerado o local mais sagrado do judaísmo, por causa a história do sacrifício de Abraão. É chamado pelos mulçumanos de Esplanada das Mesquitas por causa da Mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha (ou Cúpula do Rochedo), uma das estruturas mais antigas do mundo muçulmano.

            Fomos direto para a Cúpula do Rochedo que é aquele prédio com uma cúpula dourada enorme que é a primeira imagem que vem ás nossas cabeças quando pensamos em Jerusalém. O enorme não tem nenhum exagero!

            O lugar todo é muito claro por causa do reflexo do sol nas tradicionais pedras brancas que eles usam em todas as suas construções. Além dos turistas em seus grupos guiados, uma coisa que me chamou a atenção foi a quantidade de mulçumanos no local, sendo a sua maioria de homens. Chegando à entrada da Cúpula do Rochedo, cruzamos com um grupo de umas 80 meninos acompanhados por alguns adultos descendo as escadas, todos do sexo masculino. Parecia uma excursão de escola, não sei dizer se as meninas de cultura árabe não iam para escola, estudavam em escolas separadas ou simplesmente não iam aos passeios da escola. Fiquei com a dúvida.

            A Cúpula do Rochedo (ou Domo da Rocha) é conhecida pelos mulçumanos como Mesquita de Omar. Foi construída no século VII e além de um dos lugares mais sagrados do islã, como já mencionei, é considerada uma das maiores obras da arquitetura islâmica. Faz parte do centro histórico de Jerusalém e, portanto, declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 1981.

            Para entrar, tínhamos que tirar os sapatos. Tapetes e colunas por toda parte e no centro da Mesquita tem uma grande rocha, aonde teria sido o altar de sacrifícios usado por Abraão, Jacó e outros profetas que introduziram o ritual nos cultos judaicos. Mais tarde enquanto altar, a Cúpula do Rochedo teria sido o lugar de partida da Al Miraaj (viagem aos céus realizada pelo profeta Maomé) e permanece até hoje como um templo da fé islâmica. Não podíamos filmar, nem fotografar, mas dizem que lá cabem 5 mil homens. Andamos um pouco lá dentro e saímos.

            Além da enorme cúpula dourada, as paredes da Cúpula do Rochedo era toda decorada com ladrilhos coloridos e detalhadamente desenhados com cores vivas, que trazia uma certa alegria ao prédio.

            Do enorme pátio branco, conseguíamos avistar o Monte das Oliveiras e outras construções de arquitetura islâmica também, como pequenas mesquitas e vários arcos, mas com poucas informações disponíveis. Apesar de ser um lugar sagrado, grupos de meninos jogavam bola no pátio, como se não se dessem conta da importância do local que estavam. Era como se estivessem no pátio da escola. Muito legal.

            Antes de continuarmos nossa caminhada, saímos para comer e voltamos ao Tabasco para o Monclair colocar uma calça e evitar ter que vestir saia novamente e eu aproveitei e coloquei uma calça jeans também. Para o Monclair, a troca ajudou, para mim não. Para entrar novamente, tive que colocar uma saia, pois consideraram a minha calça muito justa.

            No grande pátio do templo visitamos também a Mesquita de Al-Aqsa com seus tapetes vermelhos no chão, arcos e muita decoração colorida e o Museu Islâmico, repleto de relíquias que enfeitaram antigas mesquitas e lares islâmicos. Roupas, como as usadas em guerras, dezenas facas e armas diferentes e antigas. Vários livros e alcorões. As paredes e arcos do museu e do nosso hostel eram iguais, o que me leva a crer que tenham idades aproximadas.

            O Museu Islâmico foi nossa ultima parada no Monte do Templo e fomos para a tão falada Via Dolorosa, que no final das contas é apenas uma rua na cidade velha, que começa no Portão do Leão (Lions Gate), percorre a cidade e termina no Santo Sepulcro. E para falar a verdade, perdeu muito o seu valor, depois que soubemos que não era verdadeira.

            Começamos um pouco antes, pela Igreja de Santa Ana, que fica no início da Via Dolorosa no Bairro Muçulmano, logo dentro do Portão do Leão (entrada oriental da Cidade Velha). Acredita-se que foi construída no lugar do nascimento de Maria e segundo a Bíblia, foi lá que Jesus curou um paralítico. Esse significado duplo do lugar logo o tornou um santuário cristão. Os bizantinos construíram uma grande basílica, danificada pelas invasões persas em 614 d.C. Depois, ela foi reconstruída e depois destruída pelos árabes em cerca de 1010 d.C. Os cruzados construíram um pequeno monastério sobre as ruínas, e em 1030 d.C. também construíram a basílica atual, uma grande igreja dedicada a Santa Ana, sobre as cavernas onde a memória do local de nascimento da Virgem foi guardada.

            A Igreja de Santa Ana é a mais bem preservada da arquitetura Cruzada, intacta no período Islâmico. O lugar do nascimento da Virgem Maria ainda era quase uma caverna com alguns mosaicos bizantinos no chão e uma pequena capela. Descemos uma sucessão de pequenos tuneis em forma de arcada que nos leva até a Escola Primária Umariya, construída onde se situava a fortaleza Antónia, lugar que Pilatos condenou Jesus. De lá, encontramos a capela do Mosteiro da Flagelação, considerada a 1ª estação.

            Seguimos para a 2ª estação que fica no Arco do Ecce Homo, onde Pôncio Pilatos ordenou que levassem Jesus e onde lhe foi colocada a coroa de espinhos. Ecce Homo, quer dizer “Eis o homem”, foi o que disse ao mostrar Jesus à multidão.

            Nesse momento fomos convidados por um árabe cristão a subir e tomar um café em sua casa que ficava em cima de onde Jesus foi preso antes de ser crucificado. Coisas que só acontecem com a gente.

            Seguimos para a 3ª estação, onde Jesus caiu pela primeira vez e foi construída uma pequena capela Armênia de portão azul. Durante toda a nossa estada em Jerusalem, cruzávamos com grupos de peregrinos refazendo a via, muitas vezes carregando grandes cruzes de madeira, nesse dia mesmo, vimos vários peregrinos e turistas.

            Na 4ª estação, mais ou menos 20 metros depois, Jesus encontrou Maria e hoje tem mais uma capela de portão azul. Viramos à direita e, 15 metros depois, está a 5ª estação, onde Jesus encontra Simão Cireneu, a quem os romanos ordenam que carregue a cruz até a gólgota.

            Na 6ª estação, encontramos a Igreja de Santa Verônica e marca o momento em que Jesus encontra Verônica que lhe entrega um pano para limpar o rosto. Dizem que o rosto de Jesus ficou milagrosamente marcado nesse pano e o mesmo se encontra na Igreja de São Pedro em Roma.

            Na 7ª estação Jesus caiu pela 2ª vez e fica na esquina da Via Dolorosa com a Rua do Mercado. A 8ª estação, é marcada pelo encontro de Jesus com as mulheres de Jerusalém, lá tem uma cruz esculpida na parede.  Na 9ª estação, Jesus cai pela 3ª vez. As demais estações estão dentro da Igreja do Santo Sepulcro que já havíamos visitado.

            Foi mais um encantador passeio nas estreitas ruas de Jerusalém antiga!

            Durante a Via Dolorosa, conhecemos a Luciana e o Hagai, um casal que morava em Tel Aviv e estava visitando Jerusalém. Luciana era baiana e Hagai israelense, se apaixonaram em um carnaval em Salvador e Hagai prometeu busca-la para morar em Israel e assim fez. Ela era morena, alta, magra, cabelos castanhos cacheados. Ele tinha a pele bem branca e cabelos escuros, lisos e compridos até o meio das costas. Os dois falavam português e nos acompanharam durante boa parte do passeio, então decidimos convida-los para tomar alguma coisa no bar do Tabasco naquela noite e estender a convivência.

            A noite foi divertida: bebemos, conversamos, dançamos. O novo casal do grupo parecia apaixonado, ao meu ver, até que em uma das minhas subidas ao banheiro, flagrei Luciana aos beijos com o chileno nas escadas. Fingi que não vi nada e não falei nada até esse momento que estou escrevendo esse livro.

 

            23 de abril de 1998

 

            Acordamos e decididos ir ao Museu de Israel. Dessa vez fomos só nós quatro, afinal de contas, nem todo mundo aguenta nosso ritmo.

            O Museu de Israel é certamente um dos mais importantes do mundo por causa do seu acervo. O prédio é enorme e tem uma arquitetura super moderna, com a cara dos prédios de Brasília, muita luminosidade e cimento aparente. Logo na entrada, passamos por um pátio cheio de esculturas modernas misturadas com fragmentos de pisos bizantinos.

            O museu é uma verdadeira viagem no tempo da história da humanidade, um acervo arqueológico impressionante! Vimos esculturas de mais de 2 mil anos antes de Cristo, sarcófagos do século XIII a.C., entre adornos, pingentes e até pentes com idades que não arriscaria dizer. O acervo vai desde a pré-história até os dias de hoje. Ficamos imersos a todos aqueles objetos repletos de história, principalmente devido à organização do lugar e as informações em inglês, que enriqueceram muito a visita.

            Um dos pontos altos do museu é o Santuário do Livro que guarda os manuscritos do Mar Morto, um prédio muito interessante, tem o formato da tampa do vaso onde os pergaminhos foram encontrados. Um túnel, com vários objetos arqueológicos nos leva ao interior dessa cúpula. Lá encontramos alguns pedaços dos pergaminhos originais que ficam expostos em painéis com luminosidade e umidade controladas. Estes pedaços são periodicamente trocados por outros para preservar estes documentos tão frágeis.

            Esses Pergaminhos do Mar Morto foram escritos por volta do século II A.C. e estão escritos em hebraico, na sua maioria, mas também há trechos em aramaico e grego. Foram descobertos por pastores entre 1947 e 1956 em 11 covas ao redor de Qumran.

            O santuário também guarda o grande rolo de Isaías, que foi escrito em 17 pedaços de pele de carneiro costurada para formar um rolo medindo aproximadamente 7 metros de comprimento. Acredita-se que é o mais antigo manuscrito hebraico, contendo um texto completo da bíblia - o Código de Aleppo. Esse Código foi usado para estabelecer as regras de escrita da Torah. Quanta história!!!       

            Chegamos quando abriu e só fomos embora na hora que fechou e, mesmo assim,  não conseguimos ver tudo.

            Com as cabeças cheias de informações e os corpos cansados, passamos no mercado, compramos comida e cozinhamos no terraço do Tabasco, onde ficava o alojamento dos meninos.

            Nesse jantar, decidimos que usaríamos o dinheiro que ganhamos no Blues Brothers para alugar um carro e cruzar o deserto em direção ao sul de Israel. Depois do dia de hoje, queríamos passar por Qumaran e ver as covas onde encontraram os pergaminhos do Mar Morto, queríamos ir ao Mar Morto, queríamos ver o nascer do sol de Massada, queríamos....

 

 

            No dia seguinte, acordamos tarde aproveitando um merecido descanso e fomos alugar o carro. Infelizmente, era sexta-feira e já estava tudo fechado. Voltamos ao Tabasco e passamos a tarde descansando e fazendo planos para o dia seguinte.

 

25 de abril de 1998

 

            Era shabat, praticamente tudo estava fechado na cidade, decidimos nos despedir de Jerusalém passando o dia na Torre de David – uma excelente opção!

            A Torre de David é um museu que funciona em uma antiga fortaleza medieval perto do Portão de Jafa. A fortaleza foi construída durante o século II a.C. por Herodes para fortalecer um ponto estrategicamente fraco na defesa da Cidade de Jerusalém. Foi destruída e reconstruída por uma sucessão de conquistadores cristãos, muçulmanos, mamelucos e otomanos. O museu possui achados arqueológicos de mais de 2700 anos!

            Foi na Torre de David que conseguimos saber mais sobre Jerusalém, essa cidade com séculos de história. No meio de uma cultura tão rica, monumentos, locais bíblicos, santos, profetas, conquistadores, eu considero a Torre de David um símbolo da cidade. Fiquei muito feliz por ter ido.

            O prédio é uma fortaleza e no centro tem lindos jardins, pedras e ruínas arqueológicas de aproximadamente 3000 anos, funciona também como um local para eventos. Ao entrar no museu, a gente assiste a um vídeo sobre a história da cidade, depois seguimos vendo as exposições que também contam a história de Jerusalém em ordem cronológica. Israel é muito bem preparado para esse tipo de turismo histórico.

            Durante a vista, podemos subir no terraço do prédio que tem uma vista espetacular!!! De lá conseguimos ver toda Jerusalém Nova, o Vale do Cedron e a Jerusalém antiga. Herodes tinha razão, um excelente local para defender a cidade.

            A sensação de que já era hora de ir estava nítida, a visita a Torre de David fechava nosso período em Jerusalém com chave de ouro. Acordamos relativamente cedo, fizemos o check out no Tabasco e saímos a procura de um carro para alugar que pudéssemos devolver em Eilat, extremo sul de Israel, 7 dias depois.

            Nós cinco nos dirigimos ao centro de Jerusalém Nova com nossas enormes mochilas de volta nas costas e muita ansiedade por novas experiências, muita energia. Cruzar o deserto de carro? Uau! Parecia a coisa mais importante a ser feita naquele momento. Nós nos dividíamos e nos reencontrávamos fazendo as cotações em locadoras diferentes.

            Chegamos a conclusão que só conseguiríamos alugar um Uno, sem ar condicionado e sem som pelo período que queríamos – estávamos dispostos! Como eu era a relações públicas do grupo, ainda mais quando era necessário preencher fichas e cadastros fui eu quem fechou tudo na locadora. Ficamos esperando, esperando... a animação já estava baixando sua intensidade, não entendíamos por que tanta enrolação, já que o carro estava disponível, segundo a atendente. E eu já tinha assinado dezenas de papéis. Percebi uma movimentação diferente atrás do balcão. Até que a mesma atendente me chamou:

“_ Senhora, me desculpe, cometemos um erro e alugamos um carro que não está disponível. Como reparação pelo nosso erro e pela espera, vamos te entregar imediatamente um carro superior para que possa fazer sua viagem. Só preciso que assine mais esses papéis referentes á troca, sem nenhum custo adicional. A AVIS agradece a sua compreensão.”

            Assinei os papéis e fui dar a notícia para os meninos que ainda aguardavam na calçada do lado de fora. Ainda estávamos conversando sobre o assunto, quando chegou um Citroen Xsara 98, 4 portas, som e ar condicionado! Um verdadeiro presente de viagem!! Obrigada “mão invisível”, sempre surpreendendo!!!!

PRÓXIMO CAPÍTULO - ATRAVESSANDO O DESERTO DE NEGEV - DIA 01