NAMÍBIA

        Ainda não conhecemos a Namíbia e para falar a verdade, sei muito pouco a respeito. Quando escutava falar em Namíbia, só lembrava do livro "Cem dias entre o Céu e o Mar" do Amyr Klink, onde ele narra sua travessia sozinho em um barco a remo da Namíbia para o Brasil. Nunca foi um destino que pensei em conhecer, ainda mais com crianças, até um casal de amigos - Rafael, Priscila e Nicholas de  2 aninhos - se jogarem nessa aventura. Fiquei tão encantada com o lugar e a viagem, que os convidei para compartilhar essa história com a gente. Quem conta esse relato é a Priscila e dúvido que você não vai começar a olhar para Namíbia com mais carinho e vontade de ir.

 

NAMÍBIA por Priscila Strassburger

“Viajar para a África sempre foi um sonho! Queríamos não só fazer safari, mas conhecer a cultura, o povo, as tribos, as coisas bem típicas de lá. E fazer isso com um filho pequeno me animava mais ainda, por mais loucura que possa parecer!  Não sabíamos muito sobre a Namíbia, mas apareceu uma super oportunidade de ir para lá e decidimos nos aventurar!

A Namíbia fica ao norte da África do Sul. Era, inclusive, parte do país até 1990, quando, então, se tornou um país independente. A colonização foi alemã, mas a língua mais falada, além das línguas nativas, é o inglês. É um lugar de diversidade cultural grande, composto de vários grupos étnicos como os herero, himbas, damaras, sans bushmen, entre outros. O país é bastante seguro e tranquilo para viajar com crianças, inclusive em relação a doenças como a Malária, pois o risco é baixo e a área mais crítica é somente no extremo norte do país.

Depois de comprar a passagem, começamos a buscar roteiros para descobrir o que havia para conhecer por lá. Entrei em contato com algumas empresas de turismo na Namíbia e pesquisei em blogs. Por fim, optamos por fazer um “self-drive” (muito comum por lá) rodando o país e conhecendo um pouco das principais atrações.

Nosso voo saiu do Rio de Janeiro, parou em São Paulo, depois em Angola, para então chegar em Windhoek, capital da Namíbia. Chegando lá, fomos atrás da empresa de aluguel de carros. Os carros têm a direção do lado direito, pois as estradas são de circulação pela esquerda. Isso seria um desafio para nós, que não estamos habituados, e, portanto, reservei um carro automático. A maioria das pessoas aluga 4x4 grandes, mas esses geralmente são com câmbio manual. Preferimos optar por um 2x4, mas com câmbio automático para nos sentirmos mais seguros.

Tivemos a tarde desse primeiro dia para conhecer um pouco de Windhoek (só de carro mesmo) e descansar para começar de verdade nosso “roadtrip” no dia seguinte bem cedo. Jantamos num restaurante que adoramos, chamado Joe’s Beerhouse. O ambiente é super bonito, com uma decoração típica africana e vários pratos exóticos, com carnes de caças. Nós provamos carne de zebra, jacaré, orix, spingbok e kudu.  A carne de orix se tornou a nossa preferida e acabamos comendo muitas vezes durante a viagem.

No dia seguinte pela manhã, saímos cedo, passamos no supermercado para comprar água e uns lanchinhos e partimos para a região desértica de Sossusvlei. A maior parte das estradas na Namíbia não são asfaltadas, mas ainda assim, geralmente, são tranquilas para se dirigir. As paisagens pelo caminho são fascinantes e mudam de tempo em tempo, sempre belíssimas!  No caminho paramos em Solitaire, onde há um restaurantezinho e o único posto de gasolina na região. No total levamos cerca de 5 horas e meia para chegar no nosso primeiro lodge: Desert Homestead. Passamos a tarde lá mesmo, curtindo o lodge e a paisagem linda.

No dia seguinte acordamos bem cedinho, ainda escuro, e fomos para o portão do Namib-Naukluft National Park, que abre com o nascer do sol. A ideia é ir bem cedo mesmo para poder escalar as dunas antes de a areia ficar insuportavelmente quente. A paisagem do deserto com o nascer do sol estava incrível! Tanto que no meio do caminho para as dunas, paramos para tirar fotos e apreciar a beleza. Depois seguimos para a Duna 45, uma das dunas mais escaladas do parque e que por não ser tão alta, achamos que seria melhor para subir com uma criança pequena. Uma dica que li, e que achei que valeu a pena, foi levar um par de meias a mais e subir usando-as, assim você não fica com os sapatos cheios de areia. A subida foi bastante cansativa, mas valeu a pena! Na descida, corremos pela lateral da duna e essa foi a melhor parte. Nicholas se divertiu muito!

Mais adiante, no parque vimos outras dunas com incríveis tons de laranja, marrom e vermelho, inclusive a famosa Big Daddy, com 380m de altura, mas sem chances de subir com criança! Acho que nem sozinha eu animaria! Optamos por visitar o famoso Dead Vlei, um cenário surreal, com terra esbranquiçada e arvores secas de aproximadamente 900 anos, que fica no meio das dunas.

À tarde, partimos para nosso próximo lodge na região: Wolwedans Boulders Camp. Nos perdemos um pouco no caminho e acabou levando muito tempo, mas chegando lá esquecemos imediatamente todo cansaço. O lugar é simplesmente um paraíso no deserto!!! À noite, acendem a fogueira e você tem tempo para conversar com outras pessoas que estão hospedadas. Não são muitas, afinal são apenas quatro quartos no lodge inteiro.

Na manhã seguinte, acordamos bem cedinho para ver o nascer do sol do nosso quarto, que abre quase todo e você consegue ter uma vista de tirar o fôlego sem ter que sair da cama! Mais tarde, fizemos um passeio chamado “private drive” pela reserva onde fica o lodge e ficamos curtindo aquele lugar espetacular!

Depois de três dias na região de Sossusvlei, partimos para a costa da Namíbia: Walvis Bay e Swakopmund. No caminho para lá, paramos para ver alguns cânions e para tirar foto na placa que mostra onde passa o Trópico de Capricórnio. Chegando em Walvis Bay, almoçamos num restaurante que nos indicaram chamado The Raft e depois fomos ver os flamingos. Há muitos e muitos flamingos na costa, lindíssimos! Pena que pegamos um dia bem friozinho e nublado. Optamos por ficar só uma noite na região e logo partir para o próximo destino, pois muitas atividades de lá são de aventura e proibidas para crianças pequenas. Dormimos em Swakopmund e no dia seguinte partimos para a região de Damaraland.

O ideal para quem vai para lá é fazer as reservas nos lodges com bastante antecedência para não ter que fazer o que nós tivemos que fazer nessa região (e olha que reservei tudo quase dois meses antes da viagem!). Normalmente a ordem dos lodges que ficamos seria trocada, mas por falta de disponibilidade, tivemos que inverter e acabamos dirigindo um pouco mais.

Nosso primeiro destino foi o Grootberg Lodge. Ele fica numa região de vales lindos! Você sobe muito para chegar na entrada do lodge, deixa seu carro e sobe mais um tanto em um carro deles que é apropriado para a estradinha até chegar bem no topo do planalto.

Chegando lá a paisagem era de cair o queixo! Nicholas adorou as estradinhas que iam de uma cabana para a outra e para ele tudo era uma grande aventura. Os locais na Namíbia, inclusive a maioria dos lodges, não são super seguros, então é importante ficar de olho nas crianças o tempo todo. Protetor solar e repelente sempre, além de sapatos fechados ao máximo, para evitar contratempos com bichinhos que podem machucar os pés.

Eu sabia que naquela região haviam tribos Himbas. Eu havia visto fotos e queria muito poder conhecer uma das tribos, afinal a ideia de viajar pra Africa não era só ver belas paisagens e animais, mas poder vivenciar em pouco a troca cultural com o povo de lá. Conversamos com um senhor do lodge, que nos explicou que não havia um passeio para as tribos. Então pedimos que ele nos indicasse onde poderíamos ir para encontra-los. Ele nos falou de um tribo que ficava a duas horas e pouco de lá, mas nem tinha certeza se ainda estavam lá, pois os himbas costumam ser nômades. Resolvemos correr o risco e ir mesmo assim. Conseguimos encontrar a tribo! Lá alguns dos homens da tribo falavam inglês, o que facilitou a comunicação um pouco. Mas, de qualquer forma, nossa ideia não era ter alguém traduzindo, e sim tentar nos comunicar como conseguíssemos. Nicholas começou meio tímido, mas haviam muitas crianças na tribo e com o tempo ele foi se soltando. No final da visita, ele já estava correndo e brincando com todo mundo! Foi uma experiência realmente inesquecível!

De lá fomos para o Mowani Mountain Camp, em Damaraland, um lodge lindo e super reservado, no meio de várias rochas. Boa parte do quarto é aberto, mostrando mais uma paisagem deslumbrante. Nós realmente nos surpreendemos com a quantidade e variedade de paisagens magníficas na Namíbia! Esse foi com certeza mais um dos lugares surpreendentes que conhecemos. No lodge há um local específico para assistir o pôr do sol, com almofadas e cocktails. Bom demais! O pôr do sol africano é sempre um espetáculo!

Depois dos dias na região de Damaraland, fomos finalmente para o local de Safari: o Etosha National Park. Reservamos um lodge dentro do parque nacional, pois li que havia um waterhole bem na frente e teríamos a chance de ver animais lá no começo do dia e no final do dia, mesmo quando o parque estivesse fechado para visitantes. Lá tem horário de abertura e fechamento do parque, só fica dentro quem está hospedado em um dos lodges.

Nós não pudemos fazer o guided tour, com um guia de lá, pois crianças de dois anos não são aceitas. Tivemos que fazer nos dois dias o self drive safari, indo no nosso próprio carro. Nós tínhamos um mapa do parque, o qual seguimos e fomos visitando vários waterholes, atrás de animais. Não fomos na melhor época do ano para safari, pois o melhor é na época de seca, então tivemos mais dificuldade para encontra-los. Ainda assim, a experiência foi muito divertida, Nicholas estava empolgadíssimo com seus binóculos procurando os animais e conseguimos ver vários.

A segunda noite, ficamos no Mushara Bush Camp e adoramos. Super preparado para crianças, com parquinho, jogos, brinquedos. Deu até vontade de ter ficado lá mais tempo para poder curtir tudo. Recomendo muito para quem vai com crianças. À noite, o jantar foi debaixo das estrelas e a equipe cantou na língua nativa. Emocionante demais! A comida muito boa. Por falar em comida, gostamos da comida em todos os locais que ficamos, sempre bem servido, opções de carne de caça, peixe, muitos legumes, salada, bom inclusive para crianças.

Depois de Etosha, voltamos para os arredores da capital, Windhoek, de onde partiria nosso voo. Para aproveitar mais nossos últimos dias, ao invés de ficar na capital mesmo, reservei o Na’na ku se Lodge and Wildlife Sancuary, que fica há cerca de uma hora do aeroporto. Lá eles cuidam de animais selvagens que por algum motivo não podem viver no momento ou mesmo nunca mais no meio selvagem. Vimos muitos babuínos, leões, chitas, leopardos, wilddogs, carcals, e outros animais selvagens que estavam soltos por lá. Fomos até perseguidos por um “pumba” (javali), que nos seguiu até a piscina do lodge! Imagina a emoção de uma criança ver tantos animais!

Enquanto estávamos hospedados lá, aproveitamos também para visitar uma tribo de Sans Bushmen, um dos povos mais antigos existentes no mundo. Outra experiência enriquecedora para todos nós. Nos mostraram como fazem fogo, como buscam água, técnicas de caça, além de terem cantado para nós quando pedimos.

A viagem foi incrível e valeu muito a pena ter ido com nosso filho, mesmo com apenas dois anos de idade. Ele aproveitou muito, aprendeu muito e estava o tempo todo empolgado e feliz. Recomendo a todos uma aventura em família de vez em quando!”

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