VAN COM TUDO

VAN COM TUDO é um projeto de volta ao mundo de motorhome de uma linda família de mineira que acompanho desde o planejamento da viagem. Fernando(39) e Carla(36) saíram com seus filhos Leonardo (15) e Raphael (8)Saíram de Belo Horizonte no dia 20 de maio de 2016 e contam pra gente como está sendo essa aventura.

Quando começou o projeto de dar a volta ao mundo?

Sempre sonhamos em fazer uma viagem como esta, mas pensávamos que era impossível e caríssima,  algo para fazermos quando ficarmos velhinhos. Lemos muitos livros de outras pessoas que viajaram o mundo, acompanhamos muitos casais (são pouquíssimas as famílias na estrada) pela internet.  Vimos que viajar o mundo não era tão caro assim, mas sempre esbarrávamos na questão da escola dos meninos. Eu e Nando já trabalhamos há anos pela internet, então sabíamos que já éramos nômades digitais. A realização do sonho surgiu quando lendo um livro da Família Schurmman vimos que os meninos estudaram a distancia durante os 10 anos que ficaram no mar e em um dos livros eles comentam sobre qual a escola era. Corremos para a internet, buscamos o nome da escola e vimos que ainda ela existia! Aí, vimos que daria para viabilizar a viagem sim!

Como foi tomar a decisão?

Dificílimo rs! Mesmo depois que tomamos a decisão (família) só acreditamos que o sonho iria mesmo se realizar quando trocamos nossa caminhonete pelo furgão para mandar fazer a transformação! Foi tempo de ficar sem dormir, tempo de indecisão, de insegurança. Foram alguns meses assim até pegarmos estrada.

Quanto tempo e como foi a etapa de planejamento?

Decidimos que iríamos fazer a viagem em julho de 2015, durante ferias em Cabo Frio. Ficamos estudando os carros neste período, trabalhando mais que nunca para juntarmos uma grana maior e no final de novembro de 2015 trocamos nosso carro pela VAN. Só aí começamos a contar sobre a viagem para as pessoas mais próximas. Até então ninguém sabia. Duas semanas depois, descemos dirigindo para Chapecó, Santa Catarina, para deixar o carro para ser transformado. 
Começamos a vender tudo (outros carros, moto, tudo de dentro de casa). Morávamos numa casa grande, de dois andares e nossa empresa funcionava num escritório embaixo. Mudamos em fevereiro para o escritório para esvaziar a casa.

Tivemos alguns problemas no caminho. Quando fomos pegar o Carro, no final de abril, Raphael teve dengue, foi muito forte, plaquetas despencaram, tivemos que subir com o motorhome correndo para Belo Horizonte a procura de médico. Depois que ele ficou bom, eu também fiquei com dengue. Íamos sair logo depois, mas a mãe do Fernando fez uma cirurgia que se complicou... Por causa destas coisas ficamos mais 30 dias no Brasil, vivendo no escritório, sem quase nada lá. Foi o momento mais desesperador, pois já estávamos com o carro e a cada hora surgia um problema. Chegou uma hora que resolvemos sair, pois senão não sairíamos. Doamos tudo que havia sobrado, fechamos a casa, e fomos para uma cidade ao lado para testar o carro por uma semana. Voltamos de lá, ficamos dois dias na casa dos pais do Nando e saímos definitivamente.

Vocês juntaram dinheiro para essa viagem? Como foi isso?

Deus abençoou muito desde que resolvemos viajar e ganhamos muitos contratos em 6 meses,  mais que tínhamos ganhado nos meses anteriores. Isto nos deu condições de fazer um motorhome com mais coisas. Primeiro, havíamos pensado em colocar o básico do básico, só. Ainda vendemos tudo e pegamos uma grana da poupança para ajudar na transformação. Saímos com dinheiro de segurança na poupança, um dinheiro que seria nossa segurança ai no Brasil também, aquela grana de poucos meses, para segurar alguma eventualidade. Nossa ideia desde o começo sempre foi continuar trabalhando na estrada para bancar  a viagem.

E como vocês fazem com dinheiro durante a viagem?

Trabalhamos pela internet, o que nos dá renda durante a viagem. O dinheiro é depositado pelos nossos clientes em conta do Brasil. A gente saca normalmente, usando bandeiras Visa e Master. Claro existem impostos e taxas, cerca de 10% dos gastos são de taxas, mas não tem outro jeito. Economizamos com tudo! Escrevemos cada gasto num caderno. Temos uma meta diária de 100 reais dia (fora escola).

A maior parte do tempo a gente consegue se manter, pois nosso gasto é com diesel, alimentação e pedágios. Sempre dormimos na rua para economizar. Dormimos em frente a postos de policia, posto de gasolina ou estacionamento de supermercado 24h. Então não temos gasto com hospedagem. Alimentação a gente gasta mais ou menos o que gastava no Brasil. Adaptando nossa alimentação de acordo com o país que estamos. Passeios a gente consegue quase 80% através de trocas, divulgando em nosso facebook e YouTube os lugares que nos concedem. O mesmo fazemos com campings pela estrada. Só ficamos em camping quando conseguimos trocar por divulgação.

Vocês têm alguma outra fonte de renda no Brasil?

Além do trabalho, alugamos nossa casa, que também nos da uma renda. Há uma semana conseguimos patrocínio dos CARTÕES LIVRE, que nos da uma renda mensal que nos ajuda bastante!

 O que as crianças acharam da ideia? O que elas acham agora?

No inicio não acreditavam, pois há anos escutavam aquela ideia de viagem de volta ao mundo! Então não criam mais! O início foi difícil demais para os meninos, pois estavam acostumados com muito conforto, tv a cabo, internet, quarto, espaço, casa dos avós, igreja, amigos... e ficaram sem tudo isto de uma hora para outra.  Depois, com os meses, foram se acostumando e hoje gostam. Mas se você perguntar eles querem sim voltar! Não têm ideia ainda do que esta acontecendo, do privilegio que estão tendo, eles acham que é algo normal, que qualquer pessoa faz. Pra você ter uma ideia, fizemos um vídeo recentemente falando sobre o que eles têm saudade e o primeiro foi INTERNET, depois TOMADA, depois ÁGUA. Coisas simples, agora são luxo pra gente. Acabou o consumismo, hoje a gente vive uma vida muito mais simples e isto não tem preço! 

      Acredito que assim como vocês, a grande preocupação é a escola das crianças. Como é a questão da escola pros meninos? É muito caro?    Como foi essa adaptação?

Eles estudam num esquema de homeschooling, educação domiciliar. Algo muito normal nos EUA e outros países e que é proibido no Brasil. Eles são matriculados na CLONLARA SCHOOL, uma escola americana com filial em Portugal. Custa por ano 650 euros para Ensino Fundamental e 800 euros para Ensino Médio. Muito mais barato que no Brasil, né?! Esta escola nos dá a documentação necessária para podermos voltar para o Brasil depois e conseguirmos matricula-los na escola, junto com os colegas, sem perder nenhum ano. Esta escola é um esquema de escola livre. Cada família faz o currículo que quer estudar (optamos por acompanhar o currículo Brasileiro para não terem problemas com Enem) e mensalmente mandamos fotos de tudo que produzem diariamente. Eles estudam das 08h as 12h30 todos os dias, de segunda a sexta. Leo começa os estudos as 07h pois tem mais matérias. Além disto, assistimos muitos documentários todas as semanas, tudo que eles fazem conta horas para escola. No final do ano, a escola envia um certificado de conclusão do ano. É como se eles estivessem estudando na escola regular no exterior.

A questão da adaptação, precisa de um super esforço dos pais. Se você não tiver rotina, não funciona. Tem que ter rotina, tem que cobrar. Os pais que são os professores. Baixamos livros das escolas brasileiras, muitas vídeo aulas pela internet e estudamos mesmo! Pegamos as provas da escola anterior para eles fazerem e estão muito bem!

Que encorajador!

    Qual foi a reação da família e dos amigos aqui no Brasil quando anunciaram o projeto?

A maior parte foi péssima! Se assustaram, claro! Acharam que a gente estava pirando, éramos irresponsáveis, aventureiros - palavras que a gente escutou  no começo. Estávamos fazendo terapia de casal há 2 anos e isto foi muito importante, pois já tínhamos trabalhado muitos assuntos, como importância do núcleo familiar, expectativa dos outros, importância dos nossos sonhos. E tivemos muito apoio imediato da nossa liderança espiritual e isto foi muito importante no inicio. Depois a família e os amigos foram entendendo o projeto, percebendo que era algo real mesmo. A gente foi explicando e todos apoiaram. Mas foi muito importante a gente estar muito certo disto antes de comunicar. Acho que se tivéssemos comunicado o sonho, ele teria morrido naquela avalanche de feedbacks negativos. Hoje veem o tanto que esta viagem tem sido enriquecedora pra os meninos e pra gente!

Que bom!

Vocês saíram com algum roteiro pré-definido?

O primeiro desafio é chegar no Alaska. Queríamos conhecer o Pantanal (ficamos lá um mês) e depois a Bolívia (outro mês). Depois entramos no Peru para começarmos a subir. Fomos assaltados com 3 dias no Peru, levaram todos os nossos equipamentos eletrônicos, fotográficos, 3 computadores...tudo. Além disto, levaram todos nossos documentos, documentos do carro e passaportes com vistos para os EUA e Canadá. Foi desesperador. Foi o único momento que pensamos em voltar para a casa. Tem um episódio em nosso canal que se chama ROUBO, onde contamos tudo. Foi um tempo bem complicado, tivemos que ficar no Peru 60 dias para refazer passaportes e vistos. Gastamos 5 mil reais só com documentos. Perdemos 10 mil em equipamentos e não conseguimos repor. Fazemos os vídeos diariamente no YouTube com celular. Ganhamos um computador que tem nos ajudado muito.

Mesmo assim, reafirmamos que a estrada não é perigosa. Já fomos assaltados com arma na cabeça no Brasil. Roubos e assaltos existem em todos os lugares. Ficamos ainda mais cautelosos depois disto.

Como foi isso???? Poderia ter sido evitado?

Poderia ter evitado, parando o carro no estacionamento. Porem nosso carro é muito grande e alto e isto é algo impossível em varias cidades, inclusive onde a gente estava - Puno. Tivemos o cuidado de parar em frente ao Exército, 12h, numa rua movimentada. Arrombaram o carro e fizeram a limpa. A questão é que tudo estava muito fácil, já dentro de mochilas. Deveríamos ter deixado as coisas escondidas. O bandido entra e leva o que vê primeiro. Porém, o que viram primeiro eram as coisas mais importantes, por isto o grande prejuízo. Infelizmente, o assalto é muito comum neste tipo de viagem. Conhecemos muitos viajantes que foram assaltados. O ladrão sabe que tudo que você tem esta dentro do carro. Basta um deslize e ele entra.

 Quanto tempo pretendem ficar fora?

Pelo menos 2 anos. Já tem 9  meses que estamos na estrada, queremos ficar um ano entre EUA e Canadá, depois ir para Europa. Depois, só Deus sabe!

Qual foi o lugar que vocês mais gostaram até agora?

Onde estamos, México! Com certeza! Estamos completamente apaixonados. Vimos muitos lugares fantásticos, maravilhosos, mas estamos amando o México de uma maneira muito especial!

 Em algum lugar que vocês já decidiram que não podem deixar de ir? Por quê?

Todos! Bolívia é fantástico, quase tiramos do roteiro de tanto que as pessoas falaram que era inseguro! Foi muito legal! Todos os países são únicos!

 

Qual foi o maior perrengue da viagem até agora?

O assalto, com certeza.

Qual foi o maior susto?

O assalto, depois nossa caixa de água que sumiu numa estrada da Colômbia e tivemos que voltar a noite procurando. Temos vídeo no YouTube também mostrando como foi . Foi terrível.

E a maior surpresa?

A neve no Peru foi uma experiência fantástica para toda a família.

Conta pra gente como foi o episódio do vulcão em erupção.

Não estamos acostumados no Brasil com vulcões, então entramos em pânico quando escutamos os alarmes da erupção do vulcão em Banos, Equador. No vídeo mostramos o pessoal todo calmo, e a gente assustado. Publicamos o vídeo e todo mundo no Brasil mandando a gente ir embora de lá! Mas é uma realidade cotidiana. A questão cultural é fantástica!

Vocês têm algum seguro saúde internacional? Qual?

Não. O seguro mais econômico é da World Nomads, mesmo assim daria 1000 reais por mês pra gente. Não aguentamos pagar. Eu e Nando temos um seguro de vida que tem assistência viagem como brinde. Nem sabíamos e isto é ótimo, é melhor que seguro. Mas não usamos. Quando precisamos de medico usamos o serviço público. Fernando e Leo tiveram uma infecção bacteriana por causa de um porquinho da Índia que comeram no Peru e fomos atendidos na hora, de graça, no Peru. Rapha precisou de dentista em duas ocasiões, países diferentes, e também teve atendimento na hora. Devemos fazer seguro para os meninos agora, para entrar nos EUA, pois lá medico é caríssimo.

    É fácil encontrar lugar para parar a van na América do Sul? Qual a estrutura desses lugares? Quanto custa em média?

Nunca pagamos, sempre de graça. Tem um aplicativo fantástico chamado OVERLANDER, só de pessoas que estão na estrada. Você encontra lugares para parar de graça em qualquer lugar do mundo. Usamos ele todo o tempo.

 O que pensam em fazer quando voltarem para o Brasil?

Não sabemos. A experiência que estamos adquirindo e as novas habilidades vão abrir portas, temos certeza. Tínhamos muita preocupação com isto antes, hoje não.

    Qual a dica que vocês dariam para quem está sonhando com uma viagem como essa?

 Sonhe, mas aja! Agir é talvez mais importante que planejar. Temos visto muita gente planejando, os anos passando e o sonho indo embora. Sair é a decisão mais difícil, depois abrir mão de tudo também foi complicado. Desapegar, no inicio, é muito doloroso. Depois as coisas fluem!

 

     UM POUQUINHO MAIS SOBRE ELES E COMO ACOMPANHA-LOS                                                                                        

       Fernando Carvalho Duarte, 39 anos, advogado
       Carla Damiani Duarte, 36 anos, jornalista
       Leonardo Damiani Duarte, 15 anos, estudante, 1° ano Ensino Médio
       Raphael Damiani Duarte, 8 anos, estudante, 4° ano Fundamental

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