WINE WORLD ADVENTURE

WORLD WINE ADVENTURE é um projeto de Volta ao Mundo do Vinho. Horácio, Pedro e Natália são pai e filhos de uma família mineira mais conhecida como os “aventureiros do vinho”. Saíram do Brasil em um motorhome para uma volta ao mundo com o objetivo de conhecer as diversas regiões vinícolas do mundo, passando por 24 países. 

Horácio, engenheiro aposentado, professor e consultor de vinhos foi quem idealizou o projeto  com a ajuda de Pedro, que fez seu primeiro mochilão pela América do Sul aos 19 anos, estudou e trabalhou nos EUA, é formado em publicidade e propaganda e fotógrafo profissional. Natália, é fisioterapeuta e foi a última a aderir a aventura do pai e irmão.

Essa família não está mais na estrada, eles saíram de Belo Horizonte em janeiro de 2012 e retornaram 2 anos e 3 meses depois. O mais legal dessa área do site é conhecer várias formas diferentes de fazer uma longa viagem, eles fizeram tudo muito bem planejado, com patrocínio e dinheiro no bolso e, para nossa sorte, aceitaram o convite de compartilhar essa experiência com a gente.

Como foi tomar a decisão?

HORÁCIO: Fácil, com um medo danado.

Como foi a etapa de planejamento?

HORÁCIO: Uma volta ao mundo requer grande planejamento e com muita antecedência. Planejamento da logística, rota definida, burocracia com vistos e transporte marítimo do motorhome pelos continentes. Tem a parte financeira, agendamentos das visitas nas vinícolas, etc.

Vocês tiveram patrocínio desde o inicio da viagem?

HORÁCIO: Sim. O principal patrocinador foi a IVECO, do grupo FIAT, que construiu o motorhome e pagou as despesas de manutenção durante todo o percurso. Algumas outras empresas, duas vinícolas, a Lídio Carraro do Brasil e a Bodega Filgueira do Uruguai, ajudaram com uma cota, cada. O IBRAVIN, Instituto Brasileiro do Vinho. Uma empresa de seguro saúde, a ISIS e a HH Pichioni (cartão de câmbio e retirada de dólares no exterior). A Leucotron com sistema de telefonia móvel (nosso motorhome tinha um telefone fixo, que não cobra como se fosse ligação internacional – uma nova tecnologia). A Quartzito do Brasil pagou o combustível pela América do Sul.

Quais são cuidados que tem que ser pensados e tomados com antecedência?

HORÁCIO: Utilizei uma ferramenta: Diagrama de Ishikawa (espinha de peixe) que auxilia no check list de tudo. Desde roupas de viagem, documentos necessários, principais ações e estratégias, recomendações para os familiares que deram apoio logístico no Brasil, etc.

Vocês juntaram dinheiro para essa viagem?

HORÁCIO: Sim, cerca de R$ 400.000,00.

Como vocês faziam com dinheiro durante a viagem? Mesmo juntando dinheiro, vocês tinham alguma fonte de renda no Brasil?

HORÁCIO: Neste tipo de projeto não adianta levar grande quantidade de dinheiro em espécie ou travel check. É necessário ter um cartão internacional para que mensalmente possa fazer depósitos de reais, que são convertidos na moeda local. Utilizamos o cartão da HH Pichioni. Como me aposentei, eu tinha uma renda mensal, além do aluguel da casa, cujo montante era transferido para a HH Pichioni.

Qual foi o gasto média-dia da sua viagem?

Média de U$7.000,00, incluindo todas as despesas com frete marítimo.

O que seus filhos acharam da ideia? O que elas acham agora?         

PEDRO: Tudo foi um grande desafio. Eu, Pedro Henrique estava começando a me estabilizar profissionalmente. Começando a ganhar meu dinheiro, ter minhas coisas, criar a minha independência. No início, fiquei receoso de interromper uma importante fase da vida. Por outro lado, a viagem me proporcionaria algo muito maior.  De certa forma aceleraria minha carreira como fotógrafo profissional. Dessa forma era muito mais vantajoso o "IR" do que o "Não IR". Hoje, qualquer projeto que inclui viagem - aventura e descoberta, eu adoro! Acho fantástico. Ainda pretendo proporcionar algo do tipo para meu futuro filho. Quero passar a ideia do "viajar" de geração a geração.  

Pedro e Natália ainda estavam estudando na época?

HORÁCIO: Não. Quando decidi dar a volta ao mundo, eles já eram formados. Entretanto, Pedro Henrique ao retornar resolveu fazer odontologia.

Qual foi a reação da família e dos amigos aqui no Brasil quando anunciaram o projeto?

Muitos diziam: "É o meu sonho". Outros diziam: "Você é corajoso demais!"  Outros: "Eu não aguentaria". Realmente, não é algo fácil de se decidir. A viagem longa muitas vezes é conflituosa. As relações entre família dentro de um veículo é muito intensa, mas coloquei na cabeça que seria temporário e o que eu ganharia em troca seria muito maior.

Vocês já saíram com roteiro pré-definido, né?

HORÁCIO: Sim. Como o objetivo do projeto foi visitar regiões vinícolas de 24 países, foi necessário um grande estudo de definição das vinícolas, endereços, cartas mostrando o projeto e agendamentos.  O Google ajudou muito nos mapas e nas coordenadas.

Qual foi o lugar que vocês mais gostaram? E por quê?

HORÁCIO:  Nova Zelândia e Eslovênia. Nova Zelândia pela preservação da natureza e pelas belas paisagens e diversidades climáticas, solo, etc em um pequeno espaço. Eslovênia é um charme.

Qual lugar vocês não gostariam de voltar? Por quê?

HORÁCIO: Egito. Quando se viaja pelo mundo não se lê jornais, revistas ou televisão. Não sabíamos que o Egito estava em guerra civil e lá chegamos.

Qual foi o maior perrengue da viagem?

HORÁCIO: Passamos por algumas situações bem difíceis. Perdemos uma janela na patagônia argentina com o vento. Tentativas de roubo em Puerto Madryn quebrando o vidro da janela do passageiro. No deserto do Texas uma pedra quebrou o ventoinha de refrigeração do motor, ficamos sem ventilador do motor em pleno deserto do Texas e Arizona. Entramos numa enrascada e em um golpe na cidade e tivemos que atravessar o deserto durante a noite. Na cidade do Cairo, Egito, “entramos em uma fria”, chegamos em plena guerra civil. Em Portugal, larápios entraram no motorhome e roubaram 3 computadores. Eu sabia que coisas deste tipo poderiam acontecer e que estávamos sempre vulneráveis aos perigos e outros riscos. É inerente ao tipo de viagem.

O maior perrengue da viagem foi quando entramos no “olho”  de um tornado(5 km do seu centro), na Nova Zelândia. Um grande susto.

           Qual foi o maior susto?

HORÁCIO: O maior susto foi o tornado e talvez o anúncio de Tsunami, em Vina Del Mar, Chile. Acordamos assustados de madrugada com alarme da cidade e policia batendo na porta para tirar o motorhome próximo da praia e deslocar para o morro.

E a maior surpresa?

HORÁCIO: A recepção calorosa e curiosa dos proprietários das vinícolas espalhados pelo mundo e a repercussão da mídia nacional e internacional, Tv, revistas, jornais, etc.

É fácil encontrar lugar para parar a motorhome com segurança? Qual a estrutura desses lugares?

HORÁCIO: Alguns países tem estrutura melhor do que o outro para estacionar Motorhome. Na América do Sul a infraestrutura é fraca, dormimos principalmente em postos de combustível e nos vinhedos. Ficamos em Campings, principalmente, quando era necessário energia e faxina geral. Na Europa, nas cidades turísticas, existem lugares reservados para estacionar e para reposição de água e dejeto. Dormimos também em estacionamentos de supermercados.

Quais foram os maiores aprendizados dessa experiência?

HORÁCIO: Viver em família dentro de um carro, relações interpessoais, releases diárias a respeito da vida, paciência e respeito com a opinião do outro. Saber abrir mão do seu "jeito" para o “jeito” do outro. Praticamos línguas: inglês, espanhol, francês e Italiano. E, muita lição de vida.

Quais paradigmas foram quebrados na sua vida depois de tudo o que você viveu?

HORÁCIO: Sonhar é fácil. Colocar o seu sonho em prática exige determinação, ousadia e planejamento.

Como foi voltar?

HORÁCIO: Chegamos ao Brasil em um momento diferente do que quando partimos. O Brasil estava sendo cantado em “verso e prosa” pelo mundo, seu crescimento, e melhoria da qualidade de vida de milhões de pessoas. Quando chegamos, levamos um susto; o país estava em um lamaçal de corrupção. Aí, a comparação entre os países desenvolvidos foi inevitável.

Como essa viagem impactou a vida de vocês quando voltaram?

HORÁCIO: Foi um marco. Uma vitória e crescimento como pessoa. Aumentou o laço de amizade entre filhos e pai, além do respeito.

Vocês acreditam que uma viagem dessas pode transformar uma pessoa?

HORÁCIO: Sim. Acredito que quem parte para uma aventura desta magnitude tem algo a buscar, algo a melhorar.

PEDRO: Sem dúvida sou muito mais feliz. Foi um projeto inesquecível e único em minha vida. Decidi encarar o NOVO! Se alguém me perguntasse se eu faria de novo... Sem dúvidas!

E o que vocês fazem agora?

HORÁCIO: Pedro decidiu estudar odontologia, está no terceiro ano, mas continua com sua profissão de fotografo. Natália voltou a sua profissão – fisioterapia. Mas, ambos me ajudam no novo negócio: o Wine Club Adventure, um clube de vinho, cujos associados recebem mensalmente, em sua residência, vinhos degustados e escolhidos por mim.

Vocês pretendem fazer uma longa viagem novamente?

HORÁCIO: Por enquanto, o foco é manter de pé a Escola Itinerante de Vinhos(que funciona dentro do motorhome) e o Wine Club Adventure. Certos dias eu acordo com o Wine World Adventure II, na cabeça. Logicamente, com meus filhos é inviável repetir a aventura, pois eles necessitam retomar suas profissões, formar uma família, etc. Eu como sou aposentado, pode ser que daqui a alguns anos eu decida sair novamente pelo mundo.

Qual a dica que vocês dariam para quem está sonhando com uma viagem como essa?

HORÁCIO: Sonhe e coloque em prática seu sonho. Tire ele do travesseiro.

PARA SABER UM POUQUINHO MAIS:

            www.wineworldadventure.com

            www.wineclubadventure.com

            www.facebook.com/wineworldadventure