UM PULINHO NA GUIANA

        Monclair está a trabalho em Boa Vista - Roraima, e como bom viajante, aproveitou o fim de semana para dar um pulinho na Guiana que faz fronteira com o Brasil. E eu aproveito para compartilhar o relato dele sobre essa experiência aqui no blog.

         “Depois de escolher entre ir para a Venezuela ou para Guiana, a primeira coisa que eu tinha que decidir é “Como que faz para ir para Guiana”. Descobri que tem uma estação de taxi chamada Estação do Caimbé onde saem taxis coletivos, a gente vai pra lá, fica esperando o taxi encher, quando completa o número de pessoas o taxi leva todo mundo. É bem barato, são 35 km de distância, onde paga-se R$ 30,00 até Bonfim, ainda no Brasil e R$ 35,00 para Lethem, já na Guiana. Lá na estação, conheci o Duarte, um cara engraçado pra caramba, um maranhense, que cresceu na Paraíba e hoje mora em Boa Vista. Ele virou meu melhor amigo durante a viagem, ficamos conversando o tempo todo na estrada. Antes de sair, ficamos aproximadamente uma hora aguardando o taxi encher e durante esse período, uma coisa me chamou muita atenção. Boa Vista está recebendo muitos Venezuelanos e a prostituição aumentou muito, bem próximo a estação, tinha algumas prostitutas e travestis, como se fosse um ponto delas. Estavam ali “oferecendo seus serviços” e chegou um carro de polícia e esculachou, principalmente os travestis, atraindo os olhares de todo mundo. Congesso que me decepcionei com a forma que eles foram tratados e depois ainda ouvi alguns comentários como “É isso mesmo, tem que respeitar os bons costumes do bairro” entre outros.

           Não saímos com o carro cheio, era uma Safira de 7 lugares e o Duarte parou em alguns pontos para pegar umas mulheres que já haviam combinado com ele e eu, no banco da frente, é que fazia as ligações confirmando os endereços. As estradas em Roraima são muito boas, a vegetação, ao contrário do que eu esperava, não é amazônica, parece cerrado, inclusive com algumas veredas pelo caminho e muitos buritis nos charcos. Uma estrada praticamente reta, com poucas curvas e muito plana.  Vimos várias entradas para aldeias indígenas e fazendas.

           Chegando em Bonfim, que é uma cidade bem pequenininha mas bem ajeitadinha, Duarte parou e deixou praticamente todo mundo do carro e me levou para Lethem. Passamos no posto de fronteira brasileiro, onde nem paramos o carro. O Duarte faz um “jóia”, o policial devolveu o “jóia” e tudo certo. Me pareceu muito mais uma fronteira fito sanitária, uma alfandega ou alguma coisa desse tipo. Passar pelo posto da fronteira de Lethem foi a mesma coisa, um “jóia” pra um lado, um “jóia” pro outro e passou.

           Foi muito interessante chegar lá, porque na Guiana , eles usam a mão invertida, a “mão inglesa”, então logo na entrada, tem um viaduto que cruza para colocar os carros vindo do Brasil na mão correta usada por eles. A única pista de asfalto da cidade foi feia pelo governo brasileiro, pelo que me disseram. Na Guiana praticamente não tem asfalto.

            Lethem é bem simples, bem humilde, parece um assentamento e logo chegamos a essa rua, que parecia ser a maior da cidade, com galpões, que na verdade, são as lojas que as pessoas em Boa Vista falaram muito, onde dá pra comprar muita coisa barata. Uma coisa já me chamou atenção logo, de quem eram essas lojas? Dos chineses! Vendendo o que? Produtos pirateados chinês. Como sou de Brasília, onde tem uma feira conhecida como feira do Paraguai ou Feira dos Importados, mas que na verdade hoje é a “feira dos chineses” porque têm chineses vendendo todo tipo de quinquilharias, percebi que era mais ou menos a mesma coisa.

            Meu “amigo” Duarte já tinha voltado para o Brasil para fazer mais uma viagem e eu fui procurar um lugar para almoçar. Havia alguns restaurantes self-service intitulados de “restaurantes brasileiros”, entrei em um deles, tudo muito simples. Comi arroz, feijão, carne de churrasco e salada por R$ 14,00, nada demais. O mais interessante foi tomar uma cerveja Guiness escura deliciosa por R$ 5,00.

           Saí andando de baixo daquele sol do Equador, atravessei a cidade inteira. Não me encantei muito pelas compras, outras coisas me chamaram a atenção, como a fisionomia das pessoas da Guiana, eles têm os traços mais negros do que indígenas, ao contrário de Boa Vista, onde as pessoas têm traços mais amazônicos, que lembram um pouco os polinésios, com os olhos um pouco puxados, mas com características de pele um pouco diferentes. Na Guiana o tom de pele é negro e o inglês parece com o inglês jamaicano. Conversei com as pessoas, me pareceu um lugar muito seguro, mas eu senti os guianenses um pouco “secos”, um pouco distantes, característico de um lugar bem comercial, onde não tem tanta proximidade entre as pessoas.

           No horizonte, tinha uma cadeia de montanhas muito bonita, parecia ter uma densa floresta no pé dessas montanhas. Pude ver alguns outdoors com propaganda de ecoturismo, turismo na selva e etc.

            Vi também muitos carros brasileiros, mais até do que carro da Guiana, me parece que os brasileiros realmente gostam de ir fazer compras por lá.

           Para voltar para Boa Vista, peguei um taxi em Lethem para um posto de taxi em Bonfim com um motorista muito simpático. Ele parou na ponte para eu tirar fotos Rio Tacutu, que separa o Brasil da Guiana. Essa ponte foi construída pelo Brasil durante o governo Lula.  No posto, esperei mais uma hora para encher outro taxi coletivo, tomei umas duas cervejas  e concluí a viagem com um lindo por do sol sobre o Rio Branco, comendo um típico tacacá em uma praça em Boa Vista.”

INFORMAÇÕES INTERESSANTES:

  • A Guiana só conquistou sua independência do Reino Unido em 1966.
  • A Guiana é o terceiro menor Estado independente no continente sul-americano, depois de Uruguai e Suriname.
  • A zona mais habitada é a faixa litorânea, constituída por um terreno plano, pantanoso e, em grande parte, posicionada abaixo do nível do mar. O interior do país é ocupado pela densa floresta amazônica.
  •  O território da Guiana é formado por uma faixa costeira pantanosa, por um planalto central no interior e por uma região montanhosa situada na fronteira com a Venezuela e com o Brasil. A oeste situa-se o principal sistema montanhoso - a serra de Pacaraíma – onde está o Monte Roraima.
  • A população, majoritariamente formada de indianos, negros e mestiços.